Despertar é um mundo novo, todos os dias
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Despertar é um mundo novo, todos os dias

22 de setembro
Criado por: Aline de Andrade

DESPERTAR: Acordar, sair da inércia, provocar, estimular, manifestar, revelar, despertar, abandonar a indiferença, a inatividade, iniciar um processo. Um conjunto de oito letras que contêm em si o poder para causar uma revolução – tanto interna quanto externa.

O meu despertar teve início em Janeiro de 2019, mas continua sendo um movimento diário. Eu sempre fui muito alienada em questões de saúde, autocuidado – e autoconhecimento então, nem se fala! Não sabia nem o que era. Comecei a trabalhar aos 17 e nunca mais parei. Me orgulhava de me intitular workaholic e minha rotina basicamente era: trabalhar por horas a fio, estudar, refeições vazias de nutrientes, sem exercícios, deitava além do horário e não dormia o suficiente. Aí, para compensar no dia seguinte, eu me entupia logo cedo com cafeína e comidas açucaradas e assim passava o resto do dia: um combo de cafeína e muito açúcar para aguentar o tranco.

E isso se repetia dia após dia, sem exceção. Eu não ouvia o meu corpo, não ouvia a mim mesma e nem acolhia os meus sentimentos. Eu lidava com a raiva, a tristeza e a ansiedade comendo. E com a insegurança? Passando fome. Era um misto de comer demais ou comer de menos. E isso no fundo me machucava, machucava o meu corpo, mas eu não sabia como lidar. Achava que terapia até poderia servir para os outros, mas para mim? Nãoooo, eu estou bem, obrigada.

Eu já sofria de enxaqueca crônica há anos, mas foi no final de 2018 que o meu corpo quebrou, gritando por socorro. As enxaquecas se intensificaram e me deixaram de cama, percebi os sinais de depressão me cercando e a cada manhã viver parecia um esforço imenso. Eu estava morando sozinha e então percebi a necessidade de voltar para a casa dos meus pais, procurando uma ajuda que eu não sabia exatamente de onde viria.

Terapia sempre foi um tabu mal resolvido dentro de casa. Alimentação saudável para mim era só uma questão de dietas, contagem de calorias e uma comparação constante com outros corpos. Exercício físico também, era só para fins de emagrecimento e estética. Meditação? Não, muito “good vibes”… Yoga? Até acho legal, mas sou pouco flexível…

E então, algo interessante aconteceu: fui passar a virada do ano em Porto Alegre e, visitando a cidade, acabei encontrando um restaurante “plant based” e todo moderninho. Achei interessante a proposta e entrei, sozinha mesmo. Curiosa que sou, passei a tarde comendo e conversando com os funcionários para entender a proposta do local e o que seria o tal “plant based” – termo o qual eu nunca havia escutado. E foi ali, que um mundo novo se abriu para mim.

Passei o resto da tarde me questionando “como assim a alimentação pode atuar de forma curativa e preventiva?” e fiquei super curiosa para descobrir como isso funcionava na prática. Lembro que saí do restaurante e, chegando em casa, abri o canal no YouTube do lugar e assisti a todos os vídeos falando sobre esse novo olhar para a alimentação.

Deixa eu te falar uma coisa: existe algo engraçado com o conhecimento. Depois que você conhece algo ou tem os olhos abertos para algo é impossível fugir dessa informação. Você pode até ignorá-la, mas não pode mais mentir dizendo que não sabe. No seu íntimo, você sabe. E foi isso o que aconteceu comigo.

 

Após enxergar a alimentação com uma nova perspectiva, eu não conseguia mais voltar a me alimentar como antes. Mas eu precisava de conhecimento, é claro, e então comecei a minha jornada. Li artigos, assisti vídeos, documentários, conversei com amigos e fui entendendo não só os impactos positivos da alimentação saudável no meu corpo, mas também os impactos negativos de uma alimentação rica em derivados de animais – não só para mim, mas para o planeta. E aí comecei algumas experiências: fui reduzindo os derivados de animais da minha alimentação, me desafiei a experimentar a alimentação vegana por dois meses e percebi visivelmente o impacto disso no meu corpo.

Durante esse tempo eu aprendi a olhar para a comida com mais afeto, menos culpa. Comer para me nutrir, apreciar, me divertir e não me culpar na balança. Também redescobri sabores, cores e texturas. Ah, e comecei a praticar exercícios diariamente – mas pelo prazer de descobrir a endorfina, e não mais por comparação ou “metas para o verão”.

E, como uma coisa leva a outra, acabei me sentindo provocada a olhar para o todo com mais afeto. Comecei a consumir conteúdos e informações sobre os impactos do consumo consciente, redução de plástico e lixo, e quis fazer a minha parte. Conversei com a minha família, propus novos olhares sobre o assunto e começamos a fazer trocas inteligentes em casa.

E aí vem uma parte que pouca gente sabe sobre mim: no final de 2019, aproveitando que eu estava com mais tempo em casa, abri uma empresa com a minha irmã que se chamava “Feito a Mão”. A proposta era vender comidas veganas e produtos handmade com um preço justo e acessível, desmistificando o pensamento comum de que “comida vegana é ruim” e também proporcionando o acesso a esses produtos por um valor bem abaixo do mercado tradicional. As comidas eram todas feitas por mim, com dedicação e afeto. A empresa encerrou as atividades no início de 2020 por incompatibilidade com a nova rotina de trabalho que adquiri, mas foi uma experiência extremamente gratificante.

Mas essa foi só a primeira etapa do meu despertar interno. Acontece que, apesar de eu estar vivendo grandes mudanças internas e externas, questões como saúde mental, autoconhecimento, aprender a me ouvir, acolher e lidar com as minhas emoções, ouvir a minha intuição e viver com mais presença ainda eram assuntos deixados de lado.

Mas com a chegada de 2020, chegou também a pandemia. O isolamento, as perdas, as dificuldades e toda essa realidade caótica e assustadora acabaram me impactando e fui surpreendida com um diagnóstico de ansiedade e princípio de depressão. Realmente, viver se tornou pesado demais. Não só para mim, mas para muita gente. Busquei imediatamente ajuda com um psiquiatra e uma psicóloga, com a qual não me identifiquei muito de início. Depois encontrei uma psicoterapeuta que combina o trabalho técnico com um olhar mais holístico sobre a vida, dei a mão para ela e juntas começamos uma caminhada.

A partir disso, uma longa e intensa jornada de autoconhecimento se iniciou. Aprender a me ouvir, me respeitar, me amar e deixar o que já não fazia mais sentido para trás. Reconhecer relacionamentos que me faziam bem e aprender a estabelecer limites com os que me machucavam. Redescobrir o prazer do meu corpo e a potência que é me amar. Deixar de viver papéis que não me cabiam mais e expectativas que eram de outras pessoas. Descobrir quem a Aline é e viver isso com coragem, sendo fiel a mim mesma.

 

Ao longo desse tempo fui aprendendo a olhar para dentro e ouvir as minhas necessidades, testando rotinas saudáveis e desenvolvendo hábitos possíveis. Descobri a Ashtanga Yoga e a meditação como aliadas para o meu bem estar físico e mental. Fortaleci laços com a família e amigos que se tornaram uma importante rede de apoio e acolhimento. E o processo continua, é claro. Despertar é uma experiência diária – mas não estamos a sós nessa.

Esse foi o meu primeiro texto contribuindo para a Kura. Um relato breve mas (SUPER) honesto sobre quem fui e sobre quem estou me tornando. Uma experiência infinita e com inúmeras possibilidades, que está disponível para você também. Quero te dar a mão como amiga virtual e te ajudar a caminhar a sua jornada real.

Conta comigo, viu? Espero continuar te vendo aqui pela Kura.

Abraços,
Aline.