O que Sustentabilidade, Meio Ambiente e ODS tem a ver com Nutrição
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O que Sustentabilidade, Meio Ambiente e ODS tem a ver com Nutrição

10 de maio
Criado por: Gabriela Casartelli

Como uma futura profissional da saúde minha formação será em Nutrição. Nesse semestre na Universidade pude escolher entre duas cadeiras, uma de Saúde Integral e Ampliação da Consciência e outra chamada Meio Ambiente e Sustentabilidade.

Como sou uma estudiosa da ampliação da consciência há muito anos e assim seguirei sendo, optei pela segunda opção – uma vez que não existe manutenção do Direito Humano à Alimentação Adequada (que, pasmem, até fevereiro de 2010 não estava prevista explicitamente em nossa Constituição) sem sustentabilidade, preservação e regeneração do Meio Ambiente.

Fiz essa escolha justamente porque acredito a solução desse que é um dos maiores (se não o maior) problema sociais do planeta, a fome, se dará através de ações políticas e sociais à favor da regeneração do meio ambiente que anda de mãos dadas com a soberania alimentar, com a preservação dos povos originários e sua forma de relação e cultivo com a terra e, portanto, com a agricultura familiar, sustentável, orgânica e popular.

Estudar e sonhar com uma alimentação adequada para todas e todos não é uma utopia, é um direito humano básico*, e que é inerente em todas as ODSs por que através do cultivo adequado, em pequena escala, manual, priorizando a alimentação à base de plantas estamos também promovendo dignidade, bem estar, igualdade de gêneros, industrialização sustentável, conservação das águas e dos oceanos, fim da pobreza e desenvolvimento sustentável. *O Direito Humano à Alimentação Adequada significa tanto que as pessoas estão livres da fome e da desnutrição MAS TAMBÉM têm acesso a uma alimentação adequada e saudável.

Os quatro primeiros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são: Erradicação da Pobreza; Fome Zero; Saúde e Bem-estar e Educação de Qualidade, todos diretamente relacionados ao trabalho do profissional nutricionista. É nossa responsabilidade como profissionais ensinar e esclarecer ao máximo todas as pessoas (não só pacientes) sobre as consequências físicas e ambientais das suas escolhas, ao passo que também é importante cobrar dos verdadeiros responsáveis (empresas) e dos seus fiscais (governos) ajustes e adaptações para que essas consequências sejam cada vez menores.

No que cabe ao profissional da Nutrição, isso tudo é possível dentro dos seus espaços de atuação, sejam eles no 1º, 2º ou 3º setor. Isso pode se dar de forma teórica e educacional, atuando para educação e reforçando a interseccionalidade e a visão sistêmica das políticas alimentares/nutricionais com todas as outras escolhas e atuações políticas. Mas também atuando na prática administrando melhor as questões de desperdício através de processos e fluxos de trabalho mais organizados; ou priorizando sempre o procurement de impacto sócio ambiental através de fornecedores responsáveis. Como acadêmicos, podemos fortalecer os materiais científicos que se tornam base para estudos e sugestão para mudanças nos três setores, além de construir essa interdependência com os outros ODSs e como podemos trabalhar de forma conectada com outros acadêmicos da saude ou da tecnologia e da inovação social. Independente de onde se dará a nossa atuação, ocupar cargos chave na cadeia de alimentos para que possamos ter atuação nas decisões sobre os rumos dos sistemas alimentares. 

Por fim, a responsabilidade dos profissionais que são os verdadeiros conhecedores do tema é principalmente que todos sejam ativistas e sonhadores, disseminadores e que fomentem e realizem ações para promover ao máximo a alimentação digna, de qualidade, com o mínimo de industrializados possível, com envolvimento, carinho e, consequentemente, saudável.

A vitoria contra a fome, a alimentação saudável, a extinção dos desertos alimentares são alicerces para que as metas da agenda 2023 sejam alcançadas de forma genuína e duradoura.